sábado, 13 de julho de 2013

Julho.

As sombras, que não podem ser abraçadas, refletem nos escombros da lucidez. Aconteceu novamente.

O limbo é sempre o começo, dessa vez, tudo me levara ao acrílico; nas paredes, porta do guarda-roupa. O odor era forte, as luzes vermelhas, perturbadoras. A lua amarelada desaparecia no canto esquerdo da janela, não havia nada além disso que eu pudesse enxergar. Lá embaixo, os táxis, os postes, os reflexos nas poças que a chuva deixou, amarelados, envelhecidos.

Eu encararia qualquer canalha que pulasse de um bar e encarasse meus peitos. Eu venceria uma briga.

Ouvi o telefone tocar pela última vez quando ainda nem havia pegado as chaves da porta.
Iria ligar o aquecedor automaticamente, enquanto procurava pelo secador de cabelos, quando o telefone tocou novamente. Um toque. A primeira vez que ouvi, pode ter sido, também, a única que havia acontecido. Não sei onde estava.
Não havia espaço na mesinha poltrona ou na cama para um corpo, mas não havia nada que eu estava disposta a fazer para mudar aquilo; foi assim nos últimos dias, nos últimos meses.

Seu trabalho é insistir. Pode ter passado por coisas piores, por noites em claro, nos anos que precisou ler um livro por dia, mas agora insiste em mim em troca de uns trocados.
É patético esse desejo de querer mais que tudo não ter mais razão, e o quanto a mesma acorrenta.
Ele pergunta se eu concordo que todos tem motivos para lágrimas. Silêncio. 
O nada é preenchido de tudo, mas não há forma sã de dizer isso. É como o clichê dos gritos no silêncio.

O celular toca e minha concentração naquele quadro vai embora. Agora todos aquelas doutrinas freudianas passam a ser a personificação daquela voz. 
Eu era aquelas tintas, mas não sei como voltar e confirmar que a minha roupa de ontem à noite não era a mesma dos quadros. Além do canvas, era possível estar na mente?
Esse espetáculo não vai durar muito; uma música boa não salva um filme ruim. Já compus toda a OST.

Depois que recuperei o fôlego, esqueci os motivos e fui embora.

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