segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Blues.

Inocente, naquele momento, queria acariciar teus os lábios com a ponta dos meus dedos gelados, aos acordes do blues. Embriagar-te de paixão, poesia e whisky. Tive que piscar um tanto forte para deixar mais esse devaneio passar. Os mesmos dedos que já não podem proteger tua pele do relento, repousaram sobre tua carta, mais uma vez.
Inúmeras frases terminadas em "nós". "Nós", esse, que talvez aprendeu quando garoto, enquanto ouvia teu pai contar histórias sobre a beleza e a fragilidade de tua mãe morta. "Nós" que o obrigava a levar tantas palavras ao plural em tua escrita. Letras inconstantes que elevavam e decaíam sobre a linha, como numa dança por ao desenrolar de tua estória. Minha alma em um papel encardido, clamando, pela última vez, por teus sussurros oportunistas em meus pensamentos dizendo "sossega, doce, sossega. os nefelibatas somos loucos".


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